Abrir-se para o que se é

 

Onde quer que haja reificação (transformação de experiência em coisa) contínua, há sofrimento simplesmente porque a “coisificação” é apenas uma possibilidade, temporária e relativa. Não existe uma “coisa” com um sentido absoluto, não existe um “crime” absoluto nem uma “identidade” absoluta. É o apego a tendência a coisificar que constrói uma existência cheia de atritos e com pouca possibilidade de movimento. O mundo, enquanto apresentação livre, é cheio de movimentos aleatórios e a experiência de qualquer um é livre de uma “coisificação” absoluta.

Apenas se guardo uma pistola congelante comigo e sobre o mundo é que me vicio em ver as coisas de uma determinada forma, com um determinado olhar e, é claro, isso vai produzir um efeito tanto em mim quanto nas minhas relações. Por isso, quando meditamos na tradição não dual, não sentamos como “alguém”, como um “meditante”, sentamos como a não coisa que vai abrir-se para o que se é, a presença livre, sempre presente, do que quer que suja, seja isso uma aparente “coisificação” ou não.

Os obstáculos maiores que vamos ter é quando percebemos que não só os nossos dogmas internos (“eu sou assim\a vida é isso”), como também os apegos profundos (“preciso agarrar essa dor, preciso agarrar essa forma de pensar, preciso agarrar esse impulso”) mantem-nos ativos dentro de um caminho de ilusão, como se fossemos mágicos com amnésia dos próprios feitiços que lançam na realidade.

@joaovale

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