Devorar as crises

white clouds
Photo by Magda Ehlers on Pexels.com

As reificações, ou o ato de tornar-se coisa ou de tornar o mundo uma coisa, é a base do sofrimento porque nesse sentido estamos sendo guiados por forças inconscientes que nos levam a determinadas posições e a realizar determinadas tarefas.

Quanto mais iluminamos essas forças, mais tendemos a gerar desejo autêntico e a sair do efeito destino, da ideia de que sou conduzido para uma determinada direção. Em verdade, estou condicionado/a ver de uma forma que abre apenas um tipo de porta: sou tenso, sou um fracasso, sou injustiçado, sou vitorioso, etc, para falar, nesse caso de quando “montamos nossa casa” em determinadas experiências emocionais.

Em terapia ou em qualquer processo de cura, o importante é aprender a devorar as crises, isto é, perceber que partes minhas estão envolvidas em uma direção insalubre, negativa ou exaustiva.


Quando fazemos isso, estamos nos cuidando.
Os ensinamentos budistas mais profundos, contudo, vão sempre aproveitar o que quer que esteja sendo criado para mostrar a capacidade criativa da mente, evidenciando que “essa mente” é a fonte de tudo, a qual, sob o apego e a ignorância da sua natureza, passa a criar mundos específicos de mais ou menos sofrimento.

Então, se você cria/vivencia um sofrimento muito grande, a mente criativa não te abandonou, ela apenas está apegada a um referencial e, por isso, produz o efeito respectivo.

 Quando dizemos devorar as crises é perceber quais as causas, isto é, quais apegos e/ou ignorâncias estão presentes.

 O que estou ocultando (de mim), o que estou ignorando (da vida, da realidade), o que estou agarrando sem perceber e me condicionando por isso?

Em um nível relativo, isso traz muita cura porque traz mais insight ou percepção e menos “destino”. Em um nível mais profundo, esse é o convite budista para mostrar que não somos uma coisa.

mais recentes

Devorar as crises

Abrir-se para o que se é

Não somos uma coisa

Há tantas coisas