Há tantas coisas

Há tantas coisas que você não sabe porque sente como aquelas que você não se autoriza a sentir:

No primeiro encontro do curso O inconsciente nas relações, falamos sobre como a imagem de si, isto é, a imagem que temos de nós mesmos, pode se associar a determinadas figuras da infância. Isso significa que somos atraídos por seguir um caminho parecido ou em oposição a nossas figuras de afeto.

Algumas vezes, aprendemos a não ser sérios para contrastar com a depressão, aprendemos a ser cômicos para entreter uma casa cheia de conflitos. Por vezes, aprendemos simplesmente a fugir e continuar fugindo, terminamos nos tornando dependentes de um cigarrinho, uma cervejinha, um docinho… Também aprendemos a seguir de cabeça a expectativa que tinham de nós, aderindo na imagem idealizada que nossos pais (ou ao menos um deles) esperava. Outros simplesmente precisaram fracassar para ser justo diferente dos pais (não esperem nada de mim).

Quando você se dá conta das motivações inconscientes e de como elas se posicionaram na sua vida, você percebe que essas forças estão te guiando há muito tempo, direcionando tua energia, teu foco.

Às vezes é só a raiva da criança, às vezes é só a idealização da criança, às vezes é só simbiose da criança, às vezes é só depreciação da criança, às vezes é só o medo e a cobrança…

Quanto mais as forças inconscientes são reconhecidas, mais você percebe que tem tanto por viver, potencial por se realizar, movimentos por fazer, processos por construir, para além da identificação pessoal com os processos da tua infância.

A criança em você que não abre mão do prazer, não frutifica o trabalho.
A criança em você que não abre mão da seriedade, não vivencia a brincadeira.
A criança em você que não reconheceu a carência, não sabe o que é autonomia.
A criança em você que não aprendeu a dar nome ao que sente, projeta nos outros as esperanças e os temores.

Trabalhar o inconsciente é admirar essas forças que te trouxeram até aqui e não necessariamente se fundir com elas, afinal, elas foram apenas reações a um lugar do passado e pouco têm a ver com a vivacidade do teu presente.

@vale_joao

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