Enquanto estou preso às minhas estratégias mentais, às minhas defesas emocionais, às minhas negações e obsessões, não consigo encontrar a paz porque minha mente está sempre dependendo de objetos internos e externos.
Nesse sentido, estou sempre sujeito a transes, a ser governado por uma parte e depois por outra, por uma parte que critica e por outra que é impulsiva, por exemplo.
Assim, por não parar, não consigo “me” ver.
Na crença de que estou funcionando bem, não percebo que posso me tornar o meu grande sobrecarregador, o meu próprio perseguidor, a minha própria vítima, etc.
Como eu construo algo que não me faz bem?
Porque essa parte está dissociada de mim, está presa em uma ideia, em uma reação e não em um contato verdadeiro.
O contato verdadeiro, ainda que temporário e vazio, me mostra o contexto necessário para que eu esteja afinado com a realidade e não preso na minha cabeça.
Por isso, falamos que você precisa da prática que vai acalmar suas feridas e mostrar suas ideias equivocadas, para que, dessa forma, você entenda que não pode seguir intoxicando-se com sofrimento ou com pensamentos e ações enviesados, por mais cômodos ou familiares que eles sejam.
Pode ser muito fácil e rápido se maltratar, se sobrecarregar.
Pode ser muito fácil e rápido se iludir.
Pode ser muito fácil e rápido se exigir.
Pode ser muito fácil e rápido desistir ou buscar um caminho com menos dedicação.
Para meditar, precisamos lembrar disso, das consequências de seguir caminhos rápidos e cômodos.
Aonde eles nos levaram?
Como a falta de amor conosco fez brotar tantos transes em nós?
Como seria encontrar uma vida mais realizada sem tantas divisões e possessões?
Essas são as perguntas que podemos valorizar no nosso caminho e, ao fazer isso, elas podem nos mostrar que o trauma é curável, ele apenas feriu uma parte de nós que se achava pequena, ainda que nunca tenhamos sido, verdadeiramente, pequenos.
Sempre fomos partes do todo, mas enquanto não limpamos o coração e as ideias equivocadas, é difícil ver isso.